Textos e Reportagens

 

Onde está o limite do on-line?

Márcia Homem de Mello© Publicação ABRAPSMOL

 

Educação da Autoridade

Se quisermos ter um desenvolvimento adequado de uma sociedade e do ser humano, teremos que aprender a exercer o controle e estimular a iniciativa.

Aos pais é importante saber que lhes cabe o papel de paternidade na educação e liberdade de seus filhos, e precisam estar reparados para exercer essa função.

Em uma pesquisa que realizei em 1996, quase que 100% dos adolescentes confiavam na orientação dos pais, apesar de desejarem exercer suas vontades.

Isto tudo mostra o quão é importante o papel de um adulto responsável como parâmetro no desenvolvimento, mesmo que uns encaminhem mais para a coragem e outros para o conformismo.

Vale ressaltar que a autoridade não é autoritarismo, e sim, uma forma de fazer cumprir a força do poder esperando pela obediência. Ela não é imposta e sim, aceita. Nem tão pouco vem acompanhada pelo medo.

E importante também para ensinar limites. Liberdade sem controle, orientação, cria patologias e comportamentos alheios a realidade.

Se pegarmos uma criança na faixa dos 5 anos e levarmos numa loja de doces, poderá ter o desejo de consumir uma grande quantidade de doces variados, ocasionando algum problema de saúde. É o momento dos pais exercerem sua autoridade, baseados na experiência, no controle financeiro, no diálogo, estipulando limite de consumo. Dessa forma estimulasse o aprendizado de controle dos impulsos, das qualidades das escolhas, evitando assim, satisfações imediatas.

Um adulto criado com equilíbrio razoável de autoridade saberá ser um ser humano gentil, conhecedor das normas da cultura e da sociedade e com boa percepção de limites.

A fase da adolescência mostra de maneira mais acentuada essa busca de aprendizado individual sem muita aceitação da autoridade. Diferente da criança que solicita dos pais essa autoridade, inclusive testando com atitudes o limite dessa autoridade.

Adultos com patologias da autoridade vão ter dificuldade de educar e conviver na sociedade. Sejam autoritários, tirânicos ou submissos e acomodados.

A liberdade exagerada cria adultos sem parâmetros, foram crianças sem padrões de limites de escolhas, com satisfações imediatas de seus desejos, dos impulsos. O outro não importa, o importante é a vontade própria.

A dificuldade de um adulto em exercer a autoridade por não sabe dizer não, por insegurança, por medo, deve ser cuidada. Porque acaba desenvolvendo mecanismos de defesa para justificar essa dificuldade, agindo de maneira agressiva com quem aponta essa dificuldade, buscando explicações racionais, ou simplesmente, não vê.

“...Pois todo aquele que não sabe como controlar seu interior fingirá controlar a vontade do vizinho segundo seu julgamento” – J.W.Goeth

Isso tudo não significa não ouvir, não dialogar, não compreender as razões e as atitudes do outro por parte de quem exercer a autoridade. Os questionadores, os rebeldes têm papel muito importante no desenvolvimento da sociedade.

 

Limites on-line

Em conseqüência do exposto acima, nos encontramos na atualidade diante de algumas situações sem limites muito claros e formais. Há na verdade o meu limite, o seu limite, o limite do outro, ou o limite de uma sociedade.

Existe maneiras variadas de dizer ou demonstrar esses limites, ou essa falta de autoridade.

Focando a comunicação on-line, por onde circulam milhares de informações, acessadas por bilhares de usuários no mundo todo, teremos achado uma brecha no mundo, onde tudo pode e limite não há?

Nesse mundo virtual atual, circula verdades e mentiras na mesma velocidade, realidade e fantasia são expressas pela mesma pessoa, onde essa mesma pessoa assume quantas identidades desejar, num jogo de faz de contas. O legal e o fora da lei podem estar lado a lado sem saber, usando das mesmas armas.

Quando um hacker cria um vírus, quando imagens de artistas são manipuladas, quando sedução de menores é feita diante de muitos, quando a qualidade da informação é caótica, quando não existem regras, a regra pessoal é a própria lei. Ou seja, cada um cria a sua idéia e educação de limites do que é ou não bom para si.

Teremos então usuários que vão saber ler, olhar e ouvir esse meio virtual e distinguir por exemplo, o real do falso, outros com melhores critérios de escolha do que outros, sabendo selecionar a boa da má informação. Outros, já nem tão criteriosos ou cuidadosos assim, vão receber qualquer informação como real, ajudando a disseminar vários e-mails no estilo Spam, com boatos de mortes, crianças que nunca se perderam, doações de centavos por endereços de e-mails sem nenhum controle...

O que seria dos hackers sem a curiosidade humana? Vírus sempre sob um título instigante e estimulante, em conjunto com a criatividade de seus criadores, continuam sendo grandes geradores de prejuízos tecnológicos. O homem na sua pressa ou “ignorância” da informação, não respeita o seu próprio limite de cautela no seu dia-a-dia.

Lembra da criança na loja de doces?

Troque essa criança por um adulto diante dos sites da Internet ou diante de sua caixa postal de e-mails. Alguns vão agir igual à criança de 5 anos desejando tudo sem critérios de escolha.

Qual foi o procedimento indicado para a criança de 5 anos na loja de doces? :o)

Será que isso não ajudaria a explicar um pouco dos que ficam conectados por horas a fio na Internet durante meses, com pequenas pausas para alimentação e higiene pessoal?

Mas isso vai ficar para uma outra reflexão!

O importante agora é observar e exercer o seu poder de autoridade. Pois o limite ou falta dele, está em você mesmo.

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