Textos e Reportagens

 

A INVEJA É COMO O AR QUE RESPIRAMOS

Aprenda a conviver com os invejosos
Por: Rynaldo Papoy
5 de abril de 2006

 


Wikipedia:
“Inveja é o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa. Não é necessariamente associada a um objeto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação à outra. A inveja é um dos sete pecados capitais na tradição católica. É considerado pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da cobiça, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida nos dez mandamentos da Bíblia. É comumente associada à cor verde, como na expressão ‘verde de inveja’. A frase ‘monstro de olhos esverdeados’ (green-eyed monster, em inglês) se refere a um indivíduo que é motivado pela inveja. A expressão é retirada de uma frase de Otelo, de Shakespeare.”

A designação dos sete pecados capitais é tradicionalmente atribuída a São Tomás de Aquino, mas na verdade o primeiro a usar o termo “pecado capital” foi o famoso Papa Gregório I [590-604 d.C], aquele mesmo do canto gregoriano e que também levou o cristianismo às ilhas britânicas [não confundir com Gregório XIII – 1572/1585 d.C -, que introduziu o calendário gregoriano]. No entanto, o Papa Gregório I adaptou a doutrina do monge romano Evrágio do Ponto, que falava sobre as oito “doenças espirituais ou males do corpo” dos monges. Destas “doenças”, porém, Evrágio do Ponto havia tomado conhecimento através do contato com monges do deserto egípcio.

Observe que aqui traçamos novamente o paralelo entre o cristianismo e o hinduísmo [ver artigo sobre Deus, que escrevi duas semanas atrás].

Observando a inveja como uma das fraquezas do homem, como ensinava Evrágio do Ponto, tranqüilizamo-nos em saber que todos nós sentimos, por natureza, a inveja.

O que fazemos desta inveja, porém, leva-nos para a luz ou para o abismo. Há quem divida a inveja em duas vertentes. De maneira um tanto simplória, falam sobre a “inveja do bem” e a “inveja do mal”. A “inveja do bem” pode ser traduzida em “inspiração”. Tomamos alguém bem-sucedido como parâmetro e procuramos seguir seus mesmos passos em direção à vitória.

Mas isso só acontece se confiamos em nossa capacidade de realizar todos os objetivos. E essa confiança é difícil de ser ensinada ou exigida. Pois nenhum vício caminha sozinho. Fatalmente alguém atingido pela inveja destruidora também está contaminado por todos os outros pecados capitais, afinal, os monges do deserto nos ensinaram que são manifestações da fraqueza humana.
O invejoso também padece de orgulho, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria, como se nossa incapacidade de controlar nossos desejos fosse um terreno fértil para o surgimento de todas as “doenças do espírito”.

O que a psicologia fala da inveja? De acordo com Márcia Homem de Mello, “talvez esse processo todo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações são freqüentes, sem contar com a sociedade, que propaga na mídia processos comparativos, entre as várias marcas apresentadas.” (1) Para o psicólogo e jornalista Roque Theóphilo, “não há sentimento mais destrutivo para o clima das relações humanas do que o ciúme e a inveja que gera o ódio, a mágoa, o rancor.” O psicólogo explica a inveja, dizendo que “o juízo que os outros fazem de nossos atos nem sempre corresponde com aquilo que sentimos dentro da nossa legitimidade. Tal mecanismo é a mola propulsora da inveja porque os outros vêem a superfície, julgam e emitem a sua opinião sempre no sentido de sentir no caso da inveja as qualidades do outro esquecendo-se das suas (...)A inveja é formada a partir do momento que se compara as qualidades do outro sem uma avaliação do próprio potencial, na qual a pessoa julga-se incapaz de realizar as suas ações criando fortes sentimentos de inferioridade e de frustração, porque hipoteticamente sente-se inferior a pessoa invejada. Sedimenta-se assim o complexo de inferioridade caracterizado por forte impregnação emocional, total ou parcialmente reprimido, determinando atitudes comportamentais reprováveis. A comparação que fizemos entre nós e o outro pode ser geral ou específica. É geral quando comparamos as qualidades psicológicas, morais, sociais ou espirituais e é específica quando comparamos posses materiais, tais como casa, carro, roupa, dinheiro, porte físico etc. Faz parte da trama da inveja a vangloria. Quando nos enaltecemos, no fundo estamos procurando evitar o mal-estar do desequilíbrio, pregando excessivamente as nossas próprias qualidades com o único intuito de diminuir o outro. A crítica é uma das máscaras da inveja porque, quando criticamos alguém de forma destrutiva e quando temos necessidade de falar mal de alguém, provavelmente estamos nos sentindo inferiores a ele.” (2)

Observe aqui que a psicologia diz algo sobre inveja que obtém respaldo em nosso senso comum.

O invejoso, de fato, é uma pessoa muito frágil. Tão frágil que sucumbe a sua própria insignificância.

Porém, antes que isso aconteça, o invejoso vai provocar a dor. Causará graves prejuízos na vida da maior parte de pessoas que ele tiver oportunidade. Destruir é bem mais fácil que construir.

Tenho e tive várias experiências com invejosos. Ex-patrões, ex-colegas, ex-namoradas, etc. No ambiente de trabalho, tive minhas piores experiências. Quantos empregos não devo ter perdido, vítima de inveja desenfreada de seres medíocres com quem fui obrigado a conviver?

Se eu não corresse o risco de passar por paranóico, seria capaz de dizer que editores rejeitaram meus livros por pura inveja. Não apenas editores de casas publicadoras de livros, como também editores de jornais, revistas e imprensa em geral.

Em todas as comunidades - virtuais ou concretas - de literatura ou arte que participo e já participei, sempre fui esnobado e desprezado por qual motivo, além da inveja?

Existe inveja em todas as células da vida cotidiana. Na sua casa, no seu prédio, na sua rua, entre seus amigos, entre seus familiares. E não existe outra maneira de combater isto, além da paciência. Uma rígida e eterna paciência.

O poeta cristão do século IV Prudêncio, por outro lado, acreditava que os pecados capitais poderiam ser combatidos com as Sete Virtudes. A prática destas virtudes imunizaria a pessoa de ser aflita pelas “doenças do espírito”, entre elas a inveja. Dizia Prudêncio que a prática da Caridade retiraria o cristão do caminho da inveja.

Portanto, irmão invejoso, tomando a iniciativa de seguir a orientação do poeta medieval, comece neste instante a praticar o Bem e poderá curar sua alma da ferida incandescente da Inveja.

*Ilustração: Detalhe do quadro “Os sete pecados capitais”, de Hieronymus Bosch.

Rynaldo Papoy – 35 anos, paulistano, escritor, músico, diretor. Seu principal trabalho musical pode ser ouvido no endereço no My Space. Também mantém o Blog

 

Voltar para Mídia

Uma Conversa | 1º Atend. OnLine | Continuando Terapia | Psicoterapeuta | Consultório em Recife | Responsabilidades | Esclarecimentos | Chat | Psicodrama | TDA, TDAH ou DDA | Critérios de Avaliação do TDA-H | Textos | Mídia Links | Pesquisando sobre Terapia On-line? | E-Mail | Mapa do Site