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INVEJA:
Que sentimento será esse?
Por: Márcia Homem de Mello© - Publicação ABRAPSMOL
Dicionário
Aurélio: Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem - Desejo violento
de possuir o bem alheio - Objeto de inveja.
Vejamos
se o Aurélio está certo...
Inveja
é um dos sentimentos que pode causar as maiores dores no ser humano.
Geralmente, quando existe uma estima de algum objeto de desejo, e ainda se este
der status, a inveja se instala. (Diz-se objeto de desejo para coisas não palpáveis
também). É fruto também da comparação com as outras pessoas. Ela não
existe sem que antes o indivíduo não tenha feito comparações. É a
auto-aversão por não ser como os outros são.
É
preciso contudo, diferenciar a inveja, da busca do bem-estar. Pode se dizer que
é errado trabalhar, lutar para se conquistar o objeto de desejo? O desejo pela
conquista do objeto que nos falta, quando feito com humildade e honestidade, não
é inveja.
Se
uma pessoa destaca-se em alguma atividade, por mais tola que possa parecer, o
invejoso está pronto para aparecer e apontar o dedo e tentar minimizar o feito
de seu próximo. Um eletrodoméstico novo, um tênis da moda, ou mesmo um brinco
bem colocado em combinação com uma roupa extremamente comum, já se torna
motivo para elogios, nem sempre sinceros. Surge um sentimento de raiva, de ira,
porque geralmente o invejoso sente-se muito mais merecedor da conquista do que o
outro. O invejoso não agüenta ter uma outra pessoa invadindo seu território,
que em sua lassidão, deixou de ocupar, por pura incapacidade e ou inércia. O
invejoso é capaz de boicotar, de fofocar de fazer armadilhas, a fim de destruir
o outro. Quer provar, ao menos para si mesmo, que ele é melhor. Mas no seu íntimo,
sente-se menor do que os outros, aumenta, se vangloria, enaltece a si mesmo,
pois dessa forma abranda o mal-estar do desequilíbrio. Fala excessivamente bem
das próprias coisas, procurando diminuir o outro através de crítica. Não
percebe muitas vezes suas frustrações, é como se nem existissem, porque logo
está de prontidão, pronto para realizar mais um feito de diminuição,
descaracterização, burlando suas próprias angústias.
Geralmente,
as mulheres exteriorizam mais esse sentimento do que os homens. Estes, procuram
outras saídas na exteriorização desse sentimento.
Você
com certeza já ouviu frases (ou pensamentos) assim vindas do homem (o que não
significa que não venham de uma mulher também):
"Nossa,
que bonito carro, gostaria de ter um assim!"
"Que
trabalho interessante, queria tê-lo feito!"
"Olha
só, que namorado(a) lindo(a), podia ter a mesma sorte!"
Se
a surpresa diante de algo, for digna e generosa, não há inveja destrutiva.
Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em
adquirir novas virtudes, produzir melhores trabalhos, realizar melhores
conquistas amorosas.
Talvez
esse processo todo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações
são freqüentes, sem contar com a sociedade, que propaga na mídia processos
comparativos, entre as várias marcas apresentadas.
A
melhor solução pode estar na forma de utilizar e de encarar a inveja, que,
visualizada em termos comparativos pessoais de evolução, do antes e depois, do
ontem e do hoje, deixa de ser inveja destrutiva para ser uma inveja de auto-estímulo.
Ou seja, o padrão de comparação deixa de ser externo e passa a ser interno.
Aqueles
que sabem fazer o bom uso da inveja, utilizam frases assim:
"Nossa,
que bonito carro. O meu também me conduz, antes andava a pé!"
"Que
trabalho interessante. Eu posso aprender com ele, antes nem sabia como
fazer!"
"Que
namorado(a) lindo(a). A minha é tão companheira, antes me sentia só!"
O objeto de desejo, só nos dá satisfação, quando a conquista é nossa, e não quando é feita em cima da conquista do outro. Destruir o outro, não fará você chegar aonde o outro chegou. Sua personalidade, desejos, características não são iguais as das outras pessoas, então não adianta usar as demais pessoas como medidas para a vida que é SUA.
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