|
Textos e Reportagens |
Me ignora que eu gamo
Por:
Fernando Puga
- Site Bolsa
de Mulher
Bastou dar aquele fora que, pronto, ele já virou o príncipe.
Existem situações na vida
que se repetem muito, às vezes até demais. Quando o assunto é relação amorosa,
então, nos sentimos verdadeiras "joanas-bobas" diante da falta de criatividade
do destino: vamos e voltamos, caindo sempre nas mesmas histórias. Quantas e
quantas mulheres já não conheceram caras legais, ficaram apaixonadinhas,
começaram a sair, se conhecer e, de repente... o cara não está afim. É isso que
faz com que elas, já quase sem raciocinar, repitam pelos banheiros femininos e
clubes de luluzinha o bordão "só gosto de quem não gosta de mim". Pois é, mas
basta parar para pensar um pouquinho que vamos nos dar conta de que repetitivo
não é bem o destino e, sim, as nossas expectativas.
Há mais de dois anos, a vendedora Gisele Camargo não sabe o que é um namoro
firme. Engata um rolo atrás de outro, que nunca dão em nada. Só reforçam sua
teoria de eterna não-correspondida. "Nada passa da terceira semana. Fico afim
dos caras, mas eles me largam. E juro que não faço nada para isso, não
pressiono, não grudo, deixo bem à vontade", garante. Tanto que eles acabam indo
embora. "Não consigo entender porque isso acontece. Tudo o que eu quero na vida
é um namorado! É tão simples!", engana-se ela. A secretária executiva Jaqueline
de Matos é do mesmo time e ressalta ainda o horror de ser "desistida". "Quando o
cara some, aí é que eu fico querendo mais. Fico com a sensação de que não tive
tempo de mostrar tudo o que eu podia e, no final, acho tudo uma tremenda
injustiça", lamenta-se.
Depois de situações desse tipo, é comum vivermos a sensação de termos perdido a grande paixão de nossas vidas
Objetos irreais
A psicóloga e psicodramatista Márcia Homem de Mello acredita que quem "só gosta
de quem não gosta" busca, na verdade, objetos irreais. "Quando começamos um caso
com alguém e tudo termina antes mesmo de nos conhecermos direito, vivemos o
ideal que havíamos criado. Não há tempo para esse ‘príncipe encantado' ser
deconstruído e virar uma pessoa real", explica. Por isso, depois de situações
desse tipo, é comum vivermos a sensação de termos perdido a grande paixão de
nossas vidas. Trabalhar essa decepção é a grande cartada para que a história não
soe como disco arranhado. "Senão, a pessoa fica buscando justificativas,
culpando algo vazio", diz ela. É hora de partir para outra.
Me ignora que eu gamo > Só vou gostar de quem gosta de mim
E quando a situação se inverte?
Mas, e se nessa nova
empreitada surge um outro cara interessante, simpático, bonitinho, esforçado,
cheio de atenção e nitidamente interessado? Pronto, seria a solução para os
problemas se não fosse um detalhe: agora, quem não está a fim é você. "Eu acho
que mulher gosta é de coisa difícil. Se não for complicado, pra elas não tem a
menor graça", queixa-se o artista plástico Fabrício Torres. "Eu já nem tento
facilitar mais nada, nem explicitar o que eu pretendo. Nunca dá certo. Passei
muito tempo apaixonado por uma mulher, fiz de tudo para conquistá-la, tenho
certeza de que daria tudo o que ela queria e ela mesma sabia disso. Mas, claro,
ela queria era ficar com o outro que mal a conhecia, que ficava e largava, não
dava a menor atenção. Sofri muito. No final, tive que me contentar em ser só
amigo", lamenta-se. E, cá entre nós, qual mulher nunca cruzou mesmo com um homem
bonitinho, fofo, simpático, atencioso... e só?
As causas para a recorrência desses episódios na vida sentimental podem ser
muitas. Uma delas, provavelmente a mais comum, mora na auto-estima, de acordo
com a psicóloga Mariana Santiago de Matos, especialista em relacionamento
amoroso. "A menos valia, a sensação de não merecimento de tanto carinho ou
atenção, pode ser um dos motivos, mas existem muitos outros fatores, como as
restrições que o excesso de idealização do parceiro proporcionam", comenta ela.
Refletir sobre carências e idealizações é um bom começo para buscar uma vida amorosa que se imponha menos restrições e ideais