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Textos e Reportagens |
FOBIA
SOCIAL
Por: Márcia Homem de Mello© - Publicação ABRAPSMOL
Ultimamente
muito se tem escutado falar sobre Síndrome do Pânico, um dos transtornos de
ansiedade. Existem ainda as Fobias e a Agorafobia. Há uma confusão na
sociedade leiga sobre a diferença entre esses transtornos da ansiedade.
Vou
procurar dar algumas informações sobre a Fobia Social, que é um transtorno de
ansiedade específico de determinadas situações, e numa continuação desse
artigo, numa próxima edição, informarei sobre Agorafobia e formas de
tratamento.
O
Pânico sempre se instala quando existe uma ameaça de perda de referencial de
identidade por um questionamento súbito e maciço do conceito de identidade.
Para evitar a sensação de pânico, o psiquismo lança mão de mecanismos para
tamponar, evitar a conscientização deste material. Esses mecanismos são as
defesas intrapsíquicas, e uma delas é a defesa fóbica.
O
início da fobia social não costuma ser percebido pelo paciente. Lentamente, o
fato de ser observado ou de achar que será observado, medo de ser humilhado,
considerado ansioso, débil, "maluco", torna extremamente desconfortável
executar atividades restritas como escrever, falar, comer, beber em locais públicos,
urinar em banheiro público e, muito freqüentemente, de assinar cheques à
vista de pessoas estranhas.
O
medo de falar em público pode ser em virtude da preocupação de que os outros
percebam o tremor em suas mãos ou voz, ou por acharem que não sabem se
expressar. Ou seja, são situações envolvendo quase todas as circunstâncias
sociais fora do ambiente familiar.
Existe
a ansiedade que se sente por exemplo, numa reunião de trabalho, numa apresentação
no colégio, numa festa, essa é comum. Mas se a ansiedade impede o desempenho
em determinadas atividades, ela deixa de ser adequada. A defesa fóbica é
diferente do medo, a defesa é uma fuga de algo projetado.
A
pessoa que sofre de fobia social reconhece que é exagerada sua ansiedade mas não
consegue controlá-la. É uma ansiedade desencadeada por situações claramente
determinadas que não apresentam um perigo real. Situações evitadas ou
suportadas com muito receio, onde as preocupações do sujeito podem estar
voltadas para os sintomas individuais tais como palpitações ou uma impressão
de desmaio, e freqüentemente se associam com medo de morrer, perda do
autocontrole ou sensação de estar ficando louco.
A
fobia social não melhora sozinha e como alguns pacientes descobrem que o álcool
controla os sintomas, passam a abusar das bebidas, para diminuir as sensações
de desconforto, uma vez que enquanto durar o efeito do álcool a ansiedade é
tolerada. Contudo, o consumo excessivo de álcool pode acelerar os sintomas
ansiosos, estabelecendo um círculo vicioso de ansiedade e alcoolismo.
Os
indivíduos com esse tipo de defesa, ao se afastarem de ambientes ou situações
onde estão projetados os sentimentos e desejos excluídos do seu conceito de
identidade, impedem que entre em contato com esses sentimentos e desejos(percepção),
fugindo assim, dos próprios desejos projetados.
O
tratamento da fobia social é simples e costuma ser eficaz. Apesar de ser um
transtorno comum, os pacientes são muito relutantes em buscar tratamento
especializado, o que acaba acontecendo muito tardiamente porque a maioria não
acredita que possa haver cura. Os pacientes podem não ficar completamente
recuperados, mas melhoram o suficiente para exercer suas atividades sociais e
profissionais.
Dados
mostram que a cada 3 casos de Fobia Social, 2 são pacientes do sexo masculino.
Geralmente o início da idade adulta coincide com o início da fobia social,
podendo contudo começar durante a adolescência ou até na infância.
A
causa da Fobia Social parece ser devida à combinação de alterações genéticas
e ambientais, portanto, a etiologia parece ter padrão genético-familiar
associado a um papel familiar como modelo de resposta às situações sociais (a
angústia social dos pais pode ser aprendida e exacerbada pelos filhos,
tomando-se patológica). O ambiente influencia na medida em que os pacientes
parecem copiar os modelos de medos de seus pais ou familiares mais próximos de
modo acentuado.
CRITÉRIOS
DE DIAGNÓSTICO PARA TRANSTORNO FÓBICO SOCIAL segundo DSM.IV
e CID.10
1-
os sintomas psicológicos, comportamentais e autossômicos devem provir da
ansiedade e não secundários a outros quadros mentais;
2- a ansiedade deve ser restrita e/ou predominar à situações sociais;
3- a evitação das situações fóbicas deve ser proeminente;
4- o comportamento de evitação interfere nas atividades sociais ou no
relacionamento interpessoal;
5- a pessoa reconhece que seu medo é irracional e excessivo.
Os
sintomas de ansiedade que surgem nessas situações costumam ser palpitações,
tremores, sudorese, desconforto gastrintestinal, diarréia, tensão muscular,
rubor facial, etc.
Apesar da Fobia Social ter começado a atrair atenção, em termos de diagnóstico
e tratamento somente há pouco tempo, acredita-se que ela seja o transtorno de
ansiedade mais comum atualmente.
Os
estudos epidemiológicos identificaram 2 subtipos de Fobia Social :
1
- O discreto, específico ou não generalizado, o qual é o mais conhecido e
usualmente restrito a poucas situações sociais, sendo a mais comum o medo de
falar em público. A Fobia Social restrita à fala, ou condições mais
reservadas, corresponde à classificação pela DSM-IV de Fobia Social não
Generalizada.
2 - O outro subtipo é a Fobia Social Complexa ou Fobia Social Generalizada. Ao
contrário da anterior, esta forma complexa é, habitualmente, mais
incapacitante, familiar e de longa duração, é mais grave e corresponde à
grande maioria dos pacientes tratados em clínicas especializadas.
O
DSM-IV recomenda os seguintes critérios para o diagnóstico de Fobia Específica:
Medo
acentuado e persistente, excessivo ou irracional, revelado pela presença ou
antecipação de um objeto ou situação fóbica (por ex., voar, alturas,
animais, tomar uma injeção, ver sangue).
A
exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, uma
resposta imediata de ansiedade, que pode assumir a forma de um Ataque de Pânico
ligado à situação ou predisposto pela situação. Nota: Em crianças, a ansiedade pode ser expressa por
choro, ataques de raiva, imobilidade ou comportamento aderente.
O
indivíduo reconhece que o medo é excessivo ou irracional. Nota: Em crianças,
esta característica pode estar ausente.
A
situação fóbica (ou situações) é evitada ou suportada com intensa
ansiedade ou sofrimento.
A
esquiva, antecipação ansiosa ou sofrimento na situação temida (ou situações)
interfere significativamente na rotina normal do indivíduo, em seu
funcionamento ocupacional (ou acadêmico) ou em atividades ou
relacionamentos sociais, ou existe acentuado sofrimento acerca de ter a
fobia.
Em
indivíduos com menos de 18 anos, a duração mínima é de 6 meses.
A
ansiedade, os Ataques de Pânico ou a esquiva fóbica associados com o
objeto ou situação específica não são mais bem explicados por outro
transtorno mental, como Transtorno Obsessivo-Compulsivo (por ex., medo de
sujeira em alguém com uma obsessão de contaminação), Transtorno de
Estresse Pós-Traumático (por ex., esquiva de estímulos associados a um
estressor severo), Transtorno de Ansiedade de Separação (por ex., esquiva
da escola), Fobia Social (por ex., esquiva de situações sociais em vista
do medo do embaraço), Transtorno de Pânico Com Agorafobia ou Agorafobia
Sem História de Transtorno de Pânico.
- Especificar tipo:
Animal; Ambiente Natural (por ex., alturas, tempestades, água); Sangue-Injeção-Ferimentos;
Situacional (por ex., aviões, elevadores, locais fechados); Outros (por
ex., esquiva fóbica de situações que podem levar a asfixia, vômitos ou a
contrair uma doença; em crianças, esquiva de sons altos ou personagens
vestidos com trajes de fantasia).
Bibliografia:
-
Sonhos e Psicodrama
Interno – Victor R.C da Silva Dias;
-
Análise Psicodramática – Teoria da Programação Cenestésica -
Victor R.C da Silva Dias
-
DSM.IV
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