Textos e Reportagens

 

Filhos e Irmãos – Preparação

Como educar, criar, cuidar, enfim, preparar a relação dos irmãos?

Márcia Homem de Mello© Publicação ABRAPSMOL



 

Muito se fala sobre educação e criação dos filhos, sobre deixá-los prontos para o futuro. Pouco se fala sobre irmãos. 

E os irmãos vêm em: casal, do mesmo sexo, mais homens, mais mulheres, irmão do meio, primogênito, caçula, única mulher ou único homem, gêmeos, ...

Essas diferentes possibilidades abrem caminhos nas formas diferenciadas de desenvolvimento de uma criança, de acordo com o meio.

Influência essa, que será possível identificar causas de conflitos, internos ou externos, fatores emocionais e situacionais.

O primeiro filho está como único até a chegada do segundo. Carrega as expectativas dos pais, do tipo: "meu filho vai ser um Doutor, Engenheiro..." ou “minha filha vai ser Médica, não vai casar cedo como eu".

Mas vem o segundo filho. E é no momento em que o casal descobre a vinda dessa segunda criança, que deve iniciar a preparação.

É habitual notar nas famílias, o filho maior manifestar ciúmes, agressão e ou depressão. Alguns passam a ter comportamentos caprichosos, podendo partir para ações agressivas contra o irmão e/ou pais. Outros podem se tornar apáticos, ou ter ainda distúrbios alimentares.

Durante um bom tempo apenas ele (ou ela) era o centro das atenções: o reizinho ou a princesinha da casa. Aí chega um bebê, mobilizando atenção e cuidados da família. Natural que o maior queira virar bebê de novo, disputando com o recém-nascido o peito da mãe, pedindo de volta a mamadeira, reivindicando tudo o que o "intruso" recebe. Nesse momento, ele só enxerga o que perdeu ao crescer.

Mostrar as vantagens e benefícios de ser "grande", pode ser uma boa solução: “já pode andar e escolher os brinquedos de que mais gosta, brincar no playground com as outras crianças. Já o bebezinho depende das pessoas para se alimentar, se vestir, ir de um lugar para o outro.”

Os filhos são diferentes das filhas, podem ter reações diferentes. Normalmente, os filhos tendem a ser mais independentes e acabam se adaptando melhor às mudanças. As filhas por serem mais apegadas, reagem de forma mais dependente.

Mas sempre irão disputar o amor dos pais. É um processo natural do desenvolvimento emocional. Através dessa disputa, aprendemos a competir. Isto pode ser muito saudável, pois nos impulsiona para conquistas na vida.

É importante que os pais fiquem atentos, pois os filhos são seres individuais e têm necessidades diferentes, que variam conforme o temperamento e até a idade, mas ambos possuem necessidades que, dentro do possível, devem ser atendidas (exemplo: é muito comum os pais cobrarem que o mais velho "sempre" ceda em favor do mais novo). É interessante observar se isto não está beneficiando um e prejudicando o outro. Dentro do possível, ambos podem usufruir dos direitos e deveres relativos à sua faixa etária (exemplo: não é justo que o pequeno espalhe os brinquedos e o grande, "para ajudar a mamãe", tenha que recolher).

Outros fatores também devem ser considerados, como: Classe social, educação, carinho, atenção, questões financeiras, pais separados, dificuldades que a família sofre, perdas, mortes, ter obrigatoriamente que viver longe um do outro por questões de decisão judicial, seqüestro, etc., tudo isto, além do lado psicológico de cada um, pois existem pessoas de “n” características psicológicas e psíquicas, como: o calmo; o nervoso; o compreensivo; o flexível; o inflexível; o chato; o colaborador, enfim, existem uma infinidade de qualidades e defeitos e uma pessoa.

Os irmãos, geralmente tentam mostrar seus pontos de vista, gerando conflito e conseqüentemente acaba em “brigas” pois nenhum quer ceder. É importante para o desenvolvimento da criança, porque ela aprende a viver em sociedade e a perdoar, já que brigam, e na maioria das vezes, cinco minutos depois, o acontecimento foi esquecido.  Ensinar a negociar entre eles é uma boa solução para amenizar os conflitos.

Mas quando além das brigas verbais, começam as físicas, deve haver interferência. Ameniza se há uma criação com menos competitividade e mais amizade e compreensão.

Quando for preciso chamar a atenção ou fazer elogios, o melhor é falar com a criança diretamente. Nada de comparações entre eles, sempre usando atitudes e comportamentos relacionados ao filho em questão.

Existe também uma outra característica, que alguns costumam rotular como Síndrome do Filho do Meio. Pois o do meio fica no sanduíche entre o primogênito e o caçulinha. E se este ainda for do mesmo sexo de um dos outros filhos, a situação pode se complicar um pouco mais. Alivia se for de sexo diferente, pois ai tem uma característica diferenciada dos outros irmãos.

O filho único não passa por esses conflitos entre irmãos, mas carrega sozinho todos os sonhos, medos, expectativas, inseguranças, anseios etc. Mas ai já é outra conversa.

 

Bibliografia: 1- Psicologia da Gravidez, Parto e Puerpério - Raquel Soifer; 2- 

Rev. Claudia On-line - Educar bem ( Adriana Tavares - Psicopedagoga ), Texto adaptado por Liliam de Fátima da Silva Borges, Maria Lúcia Silva Salim e Maria Claret Lamounier Elias.

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