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Textos e Reportagens |
Profissionais se Especializando em Atendimento Online
Por: Márcia Homem de Mello© - Publicação ABRAPSMOL
Quase
2 anos** após ter começado a me envolver com o
atendimento online, posso dizer que
até certo ponto, estou satisfeita com o desenvolvimento que o assunto tomou.
E
sem modéstias, pode-se dizer que ele acabou provocando e tirando muitos
profissionais do estado de acomodação e da falsa segurança que se
encontravam.
Rever
conceitos, avaliar posturas, fazer questionamentos internos e externos, exigir
posicionamentos, fazem parte do progresso, e podemos ter essa liberdade que a
democracia do país nos permite.
A
Proposta de Atendimento online, ou TOL (Terapia On Line para uns), ultrapassou o
limite dela mesma, chegando a bater na porta de todos os profissionais de saúde
mental e dos usuários da grande Rede Mundial de Computadores.
Certa
vez, cheguei a comentar que agora as informações chegariam mais rápido, e que
ficaria difícil não mais falar sobre os temas, as guerras, a situação econômica,
os acidentes ecológicos, os roubos e obras superfaturadas. Porque basta enviar
um assunto por e-mail para um colega, que logo vira uma bola de neve, enviada
para outros colegas, que enviam para outros colegas,... Os portais da rede
atualizam suas informações na hora que elas acontecem, presidentes estão
constantemente dando informações e satisfação de atitudes tomadas em seus
governos... A Internet é mais rápida do que a informação televisiva.
Ficou
difícil não falar sobre o atendimento online, é difícil esconder os
profissionais e a TOL dos usuários da Rede Mundial. Ficou mais difícil ainda,
para os que não se informam, tomar decisões e falar sobre o assunto, porque
logo em seguida, surgem opiniões, comentários, protestos, dos que são
profissionais e sabem de suas capacidades. Ameaças e tentativas de
denegrir a imagem desses profissionais, tem sido tiros na água.
Com
a criação da ABRAPSMOL, ocorreu uma união de profissionais de saúde mental,
de várias especialidades, que vêm discutindo, estudando, se atualizando,
questionando, se orientando. E como qualquer outra forma de terapia, ela se
aperfeiçoa diariamente, inclusive com o progresso da tecnologia.
Aqui
vale ressaltar, que todos os profissionais formados, tem direitos e
responsabilidades para com o cliente e consigo mesmo. A esse profissional
cabe também, as conseqüências de um ato incorreto, ou de um atendimento mal
prestado. Pois se é formado, subentendesse que o mesmo, foi capacitado para
fazer sua atividade. O cliente tem direito de escolher e querer o melhor. Tem
direito também, de reclamar quando não receber o que lhe foi prometido.
Os
profissionais de saúde mental, trabalham com a saúde da mente, e precisam ter
um imenso profissionalismo e muita seriedade com o próximo. Pois existem falhas
que não podem ser remendadas.
E
é por essa seriedade, que a ABRAPSMOL tem lutado, porque acima de qualquer
discussão, está o bem estar, o direito, e respeito do próximo. É como diz
aquele dito popular: " Não desejar ao outro, aquilo que não desejaria a
si mesmo". Por isso, essa equipe multidisciplinar, tem se empenhado ao
máximo. E a ABRAPSMOL também tem se fixado, como o órgão online, para
receber denúncias dos maus profissionais online e de atitudes anti-éticas e
ilegais. Essa Associação, tem em seu quadro de associados, somente
profissionais formados e regularizados com suas profissões.
Nós,
profissionais do atendimento online, descobrimos que era hora de pregar o que
tanto é dito por nós mesmos. A dúvida, é o início da busca do que melhor
podemos nos dar durante a vida.
O
Roberto Shinyashiki, em um de seus textos sobre Felicidade diz que quando se
descobre a necessidade de mudança: " É chegada a hora de fazer uma revolução.
Uma revolução muito mais profunda do que o tradicional banho de loja, corte de
cabelo ou final de semana na praia. Os cuidados pessoais são importantes, mas
é preciso avançar além disso. Não adianta só aparar o mato, pois ele
crescerá de novo. O importante é arrancar as raízes da neurose e não apenas
maquiá-la para que fique mais aceitável."
Resolvemos
então, abraçar a causa, e lutar por ela. Não nos preocupando em estar
agradando aos tradicionalistas, porque nossa preocupação é o ser humano, não
cargos, títulos, atitudes políticas, ou falsos reconhecimentos. Nosso
compromisso é com o próximo, e com aquilo que acreditamos. Afinal, não faz
parte do que os profissionais de saúde mental tanto falam? Devemos dar valor
maior aquilo que acreditamos, antes de valorizar a opinião do outro. Sem a
onipotência de estar sendo um Deus Todo Poderoso.
Para
continuar, cito mais uma vez Shinyashiki: " Muitos desperdiçam suas vidas
colecionando bobagens. Grandes coleções de cursos inacabados, amores
frustrados, projetos engavetados, centenas de livros não lidos, relações sem
afeto. Não percebem que essas quinquilharias ocupam o espaço reservado para as
novas criações. Por exemplo, quando sofremos uma desilusão amorosa, essa
frustração ocupa o espaço de um novo amor. Por isso, os japoneses dizem:
"Para você beber vinho em uma taça, precisa antes jogar fora o chá".
Limpe sua taça!"
Será
que deveríamos nós, engavetar um projeto, engavetar a disponibilidade do
atendimento online, para os inúmeros usuários da Rede? A favor de que ou de
quem engavetaríamos nosso projeto? Nós resolvemos limpar nossas taças, nossas
janelas, para poder olhar o outro.
Volto
ao Shinyashiki:" Por isso, deixe o passado para trás, seja ele feito de
vitórias ou derrotas. No caso das derrotas, você precisa analisar seus erros,
fazer um novo projeto é tentar mudar os rumos. Quanto às vitórias, elas
existem para serem comemoradas, mas jamais devem estimular a acomodação, do
tipo "Já ganhei mesmo, agora posso descansar". O verdadeiro vencedor
nunca desiste. Para fazer novas conquistas, é preciso deixar para trás as
velhas, que já não são mais úteis."
Não
nos acomodamos com o diploma conseguido na universidade, e com a possibilidade
de abrir um consultório, e esperar que nossos clientes cheguem até nós.
Estamos indo até eles, onde eles precisam que estejamos.
Será
que adianta fechar os olhos para não enxergar o que está na nossa frente? Não
existe uma nova ciência sendo criada, apenas uma nova forma de usar a ciência.
Está na hora dos profissionais avaliarem os por quês de tanto pré-conceito. A
sociedade precisa ser defendida dos maus profissionais, mas quem são realmente
os maus profissionais? Aqueles que querem dar mais uma opção de trabalho e de
terapia, ou os que querem impedir a sociedade de ter esse acesso por pura falta
de argumentação, tomando atitudes extremamente antiéticas?
E
finalizando com Shinyashiki, num texto sobre entender as pessoas, ele diz:
"O maior desafio da COMUNICAÇÃO*
hoje é a Internet.
Não
estou falando da sua velocidade, eficiência e nem do impressionante aparato
tecnológico. Refiro-me à COMUNICAÇÃO*
entre
as almas que estão por trás de cada computador. Na maioria das vezes nós nos
esquecemos disso. Que do outro lado há uma pessoa com seus sentimentos, sonhos,
medos e inseguranças. Se isso acontece até mesmo num chat informal, imaginem
numa tentativa de negócios.
Proponho
a todos fazermos uma passeata virtual.
"Abaixo
a ignorância das almas". "
Se
as pessoas com seus medos, sonhos, inseguranças, estão presentes no consultório
offline, por que achar que elas não estariam presentes também no ambiente
online? E se elas estão nesse novo ambiente, não faz parte do nosso
aprendizado profissional avaliar o meio em que o individuo está inserido? Se
elas conseguem se comunicar, sentir emoções, sensações, via chat com pessoas
que não vêem, podemos nós dizer que elas não sentem o que sentem e não se
comunicam porque não enxergam o outro?!
Não
precisamos olhar para ver, compreender e sentir junto com os freqüentadores da
Rede Mundial.
Basta que sejamos mais humanos, menos
prepotentes e não façamos de nossos hábitos e conceitos armaduras com almas
de pedra.
Não
deixando de lado os que sabem e conhecem o que estamos falando, respeitam nossa
fala, mas dizem que para eles não funcionaria ou não se adaptariam. Para essas
pessoas, nosso eterno respeito.
Textos do Psiquiatra, Psicoterapeuta e Escritor Roberto Shinyashiki retirados do seu site pessoal: www.shinyashiki.com.br
*
Grifo meu, pois é o computador um meio de Comunicação entre as pessoas, entre
terapeuta e cliente.
Márcia
Homem de Mello
** Publicação de 2000
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