Logo Psy_Coterapeutas

PsicoDrama On Line

 

"Virtual: Que está predeterminado e que contém todas as condições essenciais à sua realização." Dicionário Aurélio

Depois de conhecer um pouco da Teoria do Psicodrama, vamos compreender melhor alguns aspectos de quem freqüenta as salas e/ou serviços e chat e/ou bate-papo. Poderemos também passar a ver melhor o mundo de quem navega na Internet, a nova postura, o novo comportamento, as novas ações e a nova forma de se expressar destas pessoas.

Na vida assumimos o tempo todo papeis para cada situação que enfrentamos, somos filhos, pais, avós, alunos, professores, chefes, empregados, amigos, marido, esposa, irmão, médicos, doentes,... E para cada papel expressamos uma emoção, um sentimento, um comportamento, uma ação diferente, de acordo com o a exigência do papel interpretado no momento.

Nos relacionamos com pessoas que também estão interpretando seus papeis de acordo com o meio. E cabe a nós e ao outro entender o papel demonstrado. A compreensão deste papel, está dentro do modelo de vida de quem recebe a informação, mais do que quem envia. E em certos momentos temos mais de um papel a ser interpretado, colocamos máscaras para agir e comunicar com o outro e nem nos damos conta que as vezes misturamos os papeis, trocamos as máscaras e não conseguimos a comunicação e relacionamentos adequados.

A evolução dos tempos nos vai dando mais papeis que precisamos assumir, e nos últimos tempos, precisamos aprender a ser, operadores de computadores, instrutores de informática, programadores, analistas, e agora, somos virtuais.

Sendo um "ser virtual", é possível assumir qualquer papel, vestir qualquer máscara. Pode-se usar os papeis ou máscaras que já nos são mais comuns, pois são os assumidos no dia-a-dia, ou ainda, papeis que nunca sequer se podia imaginar a possibilidade de assumir. Alguém já percebeu a dimensão disso? Qual o tamanho deste novo comportamento, desse novo papel?

Para cada papel assumido, é necessária uma transmissão de informações ao meio, seja ele gestual, falado, escrito, imaginário e agora, virtual.

As formas já conhecidas e amplamente utilizadas de comunicação, se vêem frente a uma mais rápida, dinâmica e interativa das comunicações.

Como toda comunicação, precisamos de emissores e receptores. A forma de transmissão da mensagem é que vai possibilitar a compreensão ou não da mesma. Antigamente os povos se comunicavam via desenhos, símbolos, hoje via escrita e falada e ainda, a gestual.

Assim como a comunicação falada tem seus erros de interpretação, a escrita idem. Veja os dois exemplos abaixo:

1- Este primeiro exemplo foi retirado do livro "Armadilhas da Comunicação" de Carmita H. Najjar Abdo (Psiquiatra, Psicoterapeuta, e foi minha Professora de Psicodrama), onde relata algumas entrevistas clínicas. Essa foi realizada com um homem de 26 anos, será representado pela letra P e o entrevistador pela letra E. Observe como a entrevistadora coloca em dúvida as colocações do paciente, as mudanças bruscas de assunto:

P- Não quer ir ao meu quarto, para eu lhe dar uma bala?

E- Não, acho melhor conversarmos no consultório.

P- Sinto-me melhor, mais alegre, mais comunicativo.

E- Que bom!

P- Estava impedido de falar antes. Cada "movimento" meu tinha um significado especial, antes. Eu era uma "cobra" que atraía as pessoas, principalmente mulheres como um ímã.

E- Naquela época, por que você mantinha a cabeça sempre numa mesma posição?

P- Assim? (volta a cabeça para o peito)

E- É.

P- Não sei bem. Quando ficava assim, não tinha vontade de falar. Achava que as pessoas queriam me prejudica e me chamavam de "menina". Ao mesmo tempo, comecei a ter uma sensação estranha, como se meu corpo envelhecesse, de repente. Tive medo. Parecia que minhas energias saíam de mim.

E- E a história dos gatos, você se lembra, ainda?

P- Claro. Quando os gatos começaram a miar e rosnar fora de casa, eu recebi o aviso de que iriam invadir a casa que eu estava e me agredir.

E- Ainda acredita nisso?

P- Como não! Mas não quero que conte isso para qualquer pessoa. Foram "revelações" feitas a mim, pela leitura do Apocalipse.

E- Por que estas "revelações" feitas a você?

P- Porque eu sou uma pessoa especial, única. Nunca vi um caso como o meu.

E- E qual é a "coisa especial" que você tem?

P- Eu tenho o poder de desvendar os significados ocultos das "conjuções das forças e nações". Por exemplo: o significado do emblema do cigarro Galaxy, o número 4, os Ases,...

E- Este poder é só seu?

P- Só meu.

E- Estas idéias tem-se modificado, no hospital?

P- No hospital estou tomando remédio. O remédio me ajuda a ordenar as idéias. Mais tarde, me permitirá atingir total compreensão de minhas revelações.

E- Suas revelações?

P- As revelações que foram feitas a mim. Saberei seu sentido.

E- Que mais você me diz?

P- Quero uma licença para ir para casa, me preparar para uma viagem.

E- Uma viagem?

P- Sim. Você deseja ir junto? Poderemos ir você, eu e toda a minha família.

E- Obrigado pelo convite.

P- Paramos por aqui hoje?

E- Você não quer falar mais?

P- Não, paramos.

2- Neste segundo exemplo, durante um chat para consulta comigo, um homem de 34 anos, casado, relata seus conflitos no casamento. Será representado pela letra H e estarei representada pela letra M. Perceba alguns "erros" de escrita e/ou digitação.

H- Ah, eu ando com muitas dúvidas sobre meu casamento.

M- Você deseja falar sobre elas?

H- Sabe o que acontece? Minha mulher briga muito comigo, tem sentido muitos ciúmes. Ela já fez tratamento com uma psicóloga. Ele alega que está com stress. Teve que trancar a faculdade. E só pensa neste assunto. Fala de desconfiança, infedelidade. Hoje mesmo de manhã, já tinha quase um mês que tocávamos neste assunto. Ela fica me xingando de vagabundo. E relembrando os fatos.

M- Que fatos?

H- E uma história muito grande e complicada. Infelizmente, começou tudo na Internet, conheci várias pessoas, e comecei a paquerar. Um certo dia, alguns "amigos" me convidaram para sair. E fomos numa boate, chegando em casa ás 5:00 hs da manhã. E acho que tudo isso desencadeou os acontecimentos.

M- Então o comportamento dela começou com essa saída sua?

H- Sim, nosso relacionamento era bom, hoje já não é mais tão gostozo. Ela me liga várias vezes durante o dia, as vezes nem fala nada, já chegou a ligar 20 vezes durante um único dia.

M- Isso deve lhe causar algum incômodo...

Assim como na comunicação falada, na escrita também cometeram-se erros. Qual terá sido o resultado de cada erro? Será que estes erros foram percebidos? No caso da comunicação falada, se o diálogo foi gravado, pode ser percebido posteriormente, ou ainda durante as anotações da entrevistadora. Já na comunicação escrita, estes erros foram percebidos no mesmo instante. Podem ter sido meros erros de digitação ou de português. Mas não se pode desprezar e levantar uma hipótese diante dos fatos que se ressaltaram.

Com isso, é importante salientar a proposta da nova comunicação virtual ou cybernética.

E o Psicodrama também entra como teoria importante a ser utilizada, uma vez que, indivíduos podem interpretar como, quando e de onde quiserem. E que papeis serão estes interpretados? Qual a representatividade deles? Qual o modelo gerador de tal interpretação?

O Psicodrama utiliza técnicas de ação, jogos, dramatização,... Quer meio mais rico em ação e interpretação do que o meio virtual? Por que então não orientar essas interpretações para que o indivíduo interprete papeis que lhe dêem algum retorno terapêutico? Talvez sem saber, alguns papeis assumidos já estejam tendo alguma função terapêutica.

A dramatização online é possível e dá retorno instantâneo. Veja o exemplo abaixo realizado durante um atendimento via chat com uma jovem. Tímida e com dificuldade em se relacionar, também tem dificuldade em solicitar o  que deseja. Numa sessão, depois de mencionar uma parente, a qual considerava muito chata, invejosa, esnobe e que já havia brigado com ela, sem que essa jovem conseguisse manifestar uma reação. Simplesmente saiu do local da briga. Ela será a J e eu a M.

M- Vou falar com você como se fosse ela agora ok?

J- Ok quero ver você conseguir ..

M- PARENTE R. FALANDO:

M- Êhhh J.... o q você quer?

J- ...

M- Fala alguma coisa? vai ficar ai quieta feito uma tonta é?

J- Eu vim aqui porque a tua irmã me convidou.

M- Mas eu não te chamei.

J- "Eu saia de lá."

M- Vai fugir é bobona como sempre?

J- Bobona é a tua mãe

M- Minha mãe não é bobona é sua tá?

J- A não imagina se fosse como seria..,,

M- Queria você ter uma mãe igual a minha, tá?

J- ...

M- Fujona fujona

J- Tchau vou me embora

M- Não tem nem coragem de abrir a boca

J- a

J- Não tenho mesmo

M- Não tem porque tem medo de não saber brigar

M- :oþ

J- Tchau você é muito chata..

M- Vai vai, foge e fica lá no seu quarto

M- Sou chata mas tem um monte de gente que gosta de mim

J- Fico bem melhor do que aqui com você sua babaca

M- Queria você ser babaca como eu, e ter um monte de amigos

J- Então fique com os teus amigos e me deixa em paz sua ridícula

M- Ridícula eu? me visto muito bem mocinha, tenho muitos amigos e amigas, e eles adoram mesmo que eu seja ridícula

J- Então tá ...

...

M- Quié perdeu a língua?

J- Não quero perder mais tempo com você

M- Você não perde tempo comigo queridinha, você ganha!

M- Só sabe ficar sozinha, e nem saiu com seus amigos, só sabe ficar no quarto, faz alguma coisa de boa na vida

J- Ganho estress e porque você esta preocupada ?? esta te incomodando? então fica na sua cala a boca

M- xiiiiiiii quem você acha q é p me mandar calar a boca? ganhar stress é ficar muito tempo sem fazer nada. e eu me preocupo sim, me incomoda ver você enfiada no quarto, sem nem curtir a vida.

J- "Essas coisas quem fala o meu irmão."

M- M. VOLTANDO PARENTE SAINDO!!!!!!!!!

J- Então finji que eu to morta e pronto

M- M. VOLTOU!!!!!!!!

M- E ai J.?

J- É assim mesmo

J- ehehe

M- Consegui imitá-la?

J- Mas ela é pior

M- Você percebeu o quanto você falou para ela?

J- Mas na hora eu nem falei eu sai...

Depois desta dramatização online, J. chegou a uma série de conclusões importantes, alterando pequenas posições de comportamentos.

Vou colocar abaixo algumas das teorias já mencionadas na parte Teórica para fazer a relação de fatos.

Dramatização é o método por é o método por excelência para o auto conhecimento, o resgate da espontaneidade e a recuperação de condições para o inter-relacionamento. É o caminho através do qual o indivíduo pode entrar em contato com conflitos, que até então permaneciam em estado inconsciente.

A cena dramática é aquela que expressa algum conflito; sem conflito não há dramaticidade e a cena é vazia, segundo o teatro. Propicia ao indivíduo expressar livremente as criações do seu mundo interno, realizando-as na forma de representação de um papel, pela produção mental de uma fantasia ou por uma determinada atividade corporal.

Papéis Psicodramáticos são "personificações de coisas imaginadas, tanto reais quanto irreais".

Papel é a unidade de condutas inter-relacionais observáveis, resultante de elementos constitutivos da singularidade do agente e de sua inserção na vida social.

"O Papel é a forma de funcionamento que o indivíduo assume no momento específico em que reage a uma situação específica, na qual outras pessoas ou objetos estão envolvidos."

Os Papéis Psicodramáticos correspondem à dimensão mais individual da vida psíquica, "à dimensão psicológica do eu", e os papéis sociais, à dimensão da interação social. Estes papéis, também chamados "psicológicos", e os papéis sociais corresponde a conjuntos diferenciados de unidades de ação. Na fase da Brecha entre Fantasia e Realidade, adquiri-se também, portanto a capacidade de iniciar processos de aquecimento diferenciados, para o desempenho de um e de outro tipo de papel. Só assim se exerce a espontaneidade com a adequação da ação do sujeito a seus próprios papéis.

Para finalizar, o Psicodrama teve sua inspiração no teatro. Os papéis teatrais têm suas origens nos roteiros escritos pelos seus autores. Ou seja, antes a escrita, que pode ou não ter sua base em fatos reais, depois a encenação, a interpretação.

Será que a dramatização, o psicodrama escrito online não pode se tornar depois a interpretação de papeis da vida de uma pessoa? O ato de escrever não é uma ação?

O meio virtual, onde daqui pouquíssimo tempo, nos possibilitará utilizar popularmente imagens e sons além da escrita, pode se tornar um ambiente muito rico na troca relacional com as pessoas. Os Internautas têm se mostrado mais livres e têm colocado muitas fantasias, desejos para fora, pois o meio vem propiciando o anonimato. Anonimato esse que é quebrado constantemente depois de um relacionamento pré estabelecido. Pessoas tímidas têm conseguido contatos antes nunca imaginados. A sexualidade tem sido tratada abertamente e novas formas e descobertas vem possibilitando e aguçando a curiosidade.

A necessidade de acolher este meio de comunicação como uma ferramenta rica se faz urgente. Precisamos andar lado a lado com ele, antes que o meio de comunicação e seus usuários andem milhares de quilômetros a nossa frente. Cabendo a nós a ação de abanar um lencinho, nos despedindo de longe daqueles que se foram sem nós. Agindo e reagindo em seus novos papeis.

Voltar

Uma Conversa | 1º Atend. OnLine | Continuando Terapia | Psicoterapeuta | Consultório em Recife | Responsabilidades | Esclarecimentos | Chat | Psicodrama | TDA, TDAH ou DDA | Critérios de Avaliação do TDA-H | Textos | Mídia Links | Pesquisando sobre Terapia On-line? | E-Mail | Mapa do Site