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Textos e Reportagens |
2ª
CARTA ABERTA - Legalidade
PÚBLICO ALVO:
1 - PSICÓLOGOS
2 - CONSELHOS REGIONAIS e CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA
3 - ASSOCIAÇÕES, FEDERAÇÕES E ÓRGÃOS DE SAÚDE MENTAL e
4 - DEMAIS INTERESSADOS
RESULTADO: Notícia Crime de Exercício Irregular da
Profissão e Atendimento On-Line
FINALIZAÇÃO DE CASO
Após uma longa batalha para agilizar a Notícia Crime de Exercício
Irregular da Profissão, feita a minha pessoa pelo Conselho Federal e Regional
de Psicologia, no Ministério Público Federal, no dia 26/11/1999, que considerando ser de esfera estadual, encaminhou para o Ministério Público
Estadual por ser um ato enquadrado no Artigo de Contravenção. Esse por sua
vez encaminhou para o 1º Juizado Especial Criminal do Recife, no qual o
processo recebeu o número 1990/2000.
Um ato com intenções claras, já tem seu desfecho pela Promotora Dra. Yélena M. Araújo e pelo juiz responsável: O Processo foi arquivado. Eu não sou uma criminosa!
Enfim, toda a campanha feita pelos Conselhos até o momento, tentando denegrir minha imagem profissional e minha pessoa, expondo-me de forma distorcida perante a categoria profissional e para a população, acusando-me de crime, acabaram em tiro n'água.
O que mais me impressionou, foi a falta total de ética de membros do Conselho em lidar com esse caso, e em que ponto eles foram capazes de ir para tentar intimidar esta profissional, me acusando de um crime que não cometi. Mas felizmente temos a justiça, que não é cega e não tem interesses, para julgar com neutralidade.
Os profissionais têm responsabilidades, mas têm também direitos. Até o
momento venho lutando com ética e pela ética nesse caso, e fiz um juramento na conclusão do meu curso na
faculdade. Se esse juramento não conta para os Conselhos, acho então que está
na hora de rever todos os conceitos sobre a profissão de psicólogo.
Aliás, está na hora de rever toda a profissionalização de psicologia, pois
as falhas são muitas, e nós só podemos mesmo nos sentir perdidos e sem parâmetros
básicos para nos nortear. E me alegrou muito ver no Jornal do CFP (Nº65 de
Setembro de 2000) a página 09, com providências claras e necessárias para
nossa profissão. É disso que precisamos e é esse tipo de providência que nós
profissionais solicitamos, não de repressão. É um excelente começo das
muitas modificações que precisam ser efetivadas.
Fui acusada de marketeira e de estar querendo concorrer a cargo político
dentro da categoria. NUNCA foi meu objetivo e não tenho outra razão para fazer
tudo que fiz, a não ser, a de ter pensado nos colegas de profissão e em
disponibilizar o atendimento on-line e a psicoterapia para um número maior de pessoas.
Inclusive instruindo e informando estudantes e profissionais de todo o Brasil. Fui e continuarei
indo, onde espaços me forem ofertados para INFORMAR, não para fazer
propaganda. E não tenho a menor vocação política, só quero trabalhar, e é
o que continuarei fazendo, agora, com mais tranqüilidade.
Errei em achar que os Conselhos seriam ouvintes e discutiriam o assunto
com quem tinha condições de informar sobre o atendimento on-line, ao
contrário, ouvi comentários sem propósitos e deturpados. Mas, uma
ressalva para o meu Conselho Regional (2ªRegião), pois quando solicitei,
sempre fui atendida com respeito e ética.
Quando cancelei minha inscrição de psicóloga durante a confusão toda, o fiz por
estar cansada, estressada, e extremamente chateada, decepcionada, pois não
conseguia buscar abertura para discutir dentro da categoria. Então como
Psicodramatista, consegui continuar meu trabalho on-line. Mas como a pressão continuou,
voltei a me reinscrever no meu Conselho, para lutar dentro e pela categoria de
psicólogos. Não cancelei minha inscrição para fugir de nada, como disse o
Conselho Federal, tanto que fui até o fim, apesar de tudo. Medo de ser
enquadrada pelo Conselho? Oras... tal comentário não poderia ter sido mais
infeliz!
No início dessa luta pessoal, tinha muitas dúvidas, fiz perguntas que foram vistas como uma afronta, uma provocação. Se não podia perguntar ao órgão, a quem então devia perguntar? Ainda estava sem respostas, até o recebimento do Jornal do CFP acima citado. Havia ficado com a sensação de dificuldade de diálogo, com quem devia exercer justamente o papel de informar. Se não foi possível diálogo, ao menos houveram atitudes sobre as perguntas para melhorar a profissão.
Pude ver nesse tempo todo, um Conselho Federal agindo como se tivesse
tratando com uma criança, e pior de tudo, pareciam pais que nós psicólogos
questionamos, daqueles que os filhos com dúvidas e receios perguntam: Por
que é assim? ou Por que não pode? e os pais dão respostas aos
filhos assim: É assim e pronto! ou então Porque eu não quero!
... Quem na verdade estava sendo infantil?
Progredimos e o próprio Conselho Federal, abre espaço para o
atendimento on-line, numa Resolução recém criada.
Constatei com alegria um reconhecimento do Conselho Federal a um
trabalho de uma equipe de profissionais de uma Associação que se formou em
maio de 99 para regularizar o atendimento on-line. Na Resolução do CFP sobre o
atendimento on-line, é proposta a criação de um Selo para colocar nos sites
dos profissionais habilitados para atender on-line, Selo que já existe na
ABRAPSMOL (Associação Brasileira de Profissionais de Saúde Mental On Line)
desde o ano passado, e que os associados capacitados em informática
disponibilizam em seus sites e/ou e-mails. Ponto para o Conselho Federal por
esse reconhecimento, os profissionais da ABRAPSMOL agradecem.
Vi também meus colegas de psicodrama falando e discutindo sobre o assunto, está na hora dar uma base mais sólida e ampliar espaços para nós psicodramatistas.
Posições políticas á parte, intenções outras também, chegamos a um final feliz, feliz inclusive para os Conselhos. Uma evolução com sabor nordestino, porque profissionais do Nordeste estão na frente dos atendimentos, estudos e palestras sobre o on-line.
Quero encerrar essa nova Carta Aberta, com o mesmo final da
primeira carta: “Esperando que uma possível discussão "abra as janelas
da sua mente para ver o mundo como uma realidade social, política, comunitária
e perca a mesquinhez de só ver o indivíduo no seu imediatismo, e é esta visão
que o faz transcender do indivíduo para o grupo, do momento para a história,
de soluções precárias para procuras mais globais".(Exposição de
Motivos do Código de Ética do Psicólogo)"
Obrigada aos amigos que lutaram junto comigo, aos colegas que
mandaram e-mails de apoio, á você que sem me conhecer confiou em mim e na
proposta, aos meus clientes que acompanharam todo o andamento do processo, aos
estudantes pela credibilidade, ao Presidente do meu Conselho Regional pelo
respeito, aos críticos/questionadores conscientes e respeitadores, aos
profissionais da mídia séria e coerente, aos portais e sites da Internet pela
indicação/premiação e principalmente aos meus familiares.
Atenciosamente,
Márcia
Homem de Mello
Psicóloga - Psicodramatista
CRP
02 - 10.196
Página na Internet: http://www.homemdemello.com.br/psicologia/
E-mail:
marcia@homemdemello.com.br
Pernambuco, 31 de Outubro de 2000