NOITE INUSITADA

Os fatos aqui relatados são reais e aconteceram por ocasião de nossa viagem a Barcelona.

Os acontecimentos se desenrolaram em um pequeno Hotel chamado “Hostal Avinyó”, localizado no Bairro Gótico, à "Hostal Avinyó", nº 42, no período que lá ficamos hospedados (Apto. nº 110) de 25/10/2000 a 06/11/2000.

O Hostal Avinyó é um hotel pequeno, muito simpático e estabelecido em um edifício com mais de 200 anos de construção. Internamente é restaurado, tudo muito limpo e com habitações (apartamentos) com ou sem banho completo, ou seja banho e WC internamente ou coletivo. As janelas e portas são confeccionadas em madeira com 4 dedos de espessura, são pesadas e necessita-se fazer alguma força para abri-las sobre um trilho de ferro e ao abri-las fazem algum barulho devido ao peso.  

Esta estória se inicia quando em um dia, após termos andado muito, voltamos para o apartamento do Hotel por volta da 16 horas. Ao entrarmos começamos a escutar um barulho esquisito no apartamento (109) vizinho. Prestando mais atenção, deduzimos que os nossos vizinhos estavam fazendo amor (transando), isto porque  o estrado da cama fazia o barulho característico “nhec-nhec-nhec-nhec”, sucessivamente!!

Além do que, o bendito estrado da cama deles estava encostado na parede e entre os “nhecs”, havia uma batida do estrado na parede do quarto – “pan”!!

Assim, o barulho ficava : “nhec-pan-nhec-pan-nhec-pan-nhec-pan”.

Como era de dia e havia outros barulhos da rua, pois a nossa janela estava aberta, não demos muita importância para o caso. Demos risada e desejamos bom divertimento aos nossos vizinhos. Alguns minutos depois, tudo ficou silencioso.

Uns dois dias depois, já à noite desta vez, umas 22 horas, tudo se repetiu e foi “nhec-pan” por um longo tempo. Aí surgiram outros barulhos: após o “nhec-pan”, havia correria dentro do apartamento e batidas da janela nos batentes que deslizavam sobre os trilhos. Como já era tarde da noite os barulhos passaram a incomodar em virtude do silêncio que havia. Mas deixamos passar a coisa apesar de haver incomodado. Algum tempo depois tudo voltou a ficar calmo e silencioso novamente.

Passou-se mais um ou dois dias e o “nhec-pan” voltou a se repetir!!

ENTRETANTO, desta vez, às 3 da madrugada!!!

E tudo precedido de batida de porta, abertura de janela o que nos acordou.

No silêncio da noite a coisa ficou uma barulheira danada e incomodando!!! Era muito “nhec-pan”!! E dá-lhe “nhec-pan”!!!!

Começamos a ficar irritados, com os “nhec-pan”!! A certa altura minha mulher chegou a atirar na parede um par de sapatos que estava ao lado da nossa cama!! Ouvimos outras pessoas também baterem na parede e até na porta do quarto !! E nada resolvia!

E continuava o “nhec-pan”!!!

Resolvido a acabar com tudo aquilo, vesti-me e me dirigi à Recepção que ficava no mesmo andar e lá despejei toda a minha indignação no Recepcionista pelo que estava acontecendo.

Este, também estava muito zangado, uma vez que o barulho chegava até a Recepção e ele também já havia ido até o apartamento e batido na porta sem resultado algum!!!

Bem ..., aí o Recepcionista me deu a explicação dos fatos. Escutei atentamente o relato do Recepcionista e abismado, também, cheguei a conclusão de que nada poderia ser feito a não ser aguardar que  os vizinhos do 109 terminassem  o “nhec-pan”, para todos poderem dormir com tranqüilidade.

Voltei ao nosso apartamento morrendo de rir, sem poder falar!!

Minha mulher, sem entender nada pedia explicações e eu não parava de rir a não mais poder, não conseguindo falar, enquanto o “nhec-pan” continuava. Aí ela também começou a rir só de me  ver.

Depois de alguns momentos,  consegui dar a ela as explicações!!

Os nossos vizinhos de apartamento eram SURDOS-MUDOS!!!!!!!!!

Aí é que passamos a rir ainda mais ao escutar os “nhec-pan” que ainda continuavam.

Perdemos o sono !!

Finalmente, tudo se acalmou e todo mundo foi dormir quase 5 horas da madrugada.

No dia seguinte, ao sairmos, perguntamos na Recepção como iria ser possível impedir que tudo voltasse a se repetir durante as próximas noites.

Aí o Recepcionista nos mostrou um bilhete que a Direção iria entregar ao casal quando saísse, com a reclamação da Administração do Hotel e informações dos acontecimentos, assim como as reclamações dos demais hospedes.

À noite, quando voltamos, constatamos que na maçaneta da porta do apartamento 109, também, havia um bilhete com a seguinte mensagem “Vamos ver se esta noite podemos dormir sossegados”.

Daí em diante, nunca mais escutamos qualquer barulho no apartamento deles até voltamos para o Brasil.

Parece que eles colocaram o colchão no chão!!!! Há há há

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