Estas
linhas pretendem fazer um pequeno histórico do nosso relacionamento por mais de
25 anos em diversos ambientes por onde passamos e convivemos.
O inicio do nosso relacionamento aconteceu nos dias 23-24-25 de Abril de 1976 durante o 36º Encontro de Casais com Cristo (ECC) da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes do Planalto Paulista em São Paulo – SP, na época dirigida pelo Padre Ângelo.
Nessa época o Mata (apelido carinhoso dado por seus amigos) juntamente com sua mulher a Benê, eram Palestrantes do ECC e responsáveis por uma das Palestras a que discursava sobre a “ORAÇÃO”, onde além de nos ensinar o seu significado faziam alguns relatos / depoimentos de sua vida pessoal.
Após o “Encontro”, iniciamos um relacionamento que ia das reuniões do ECC até as reuniões do Coral onde ensaiávamos as músicas para o ECC, passando por Bingos, Festas Juninas e muitas idas à Pizzaria após os ensaios do Coral.
Na
época foi organizado um Coral sob o comando musical do Maestro Capobianco e do
qual participávamos e onde o Mata, ALÉM DE 2º Maestro, interpretava durante
as missas do ECC e em ocasiões em
que o Coral era convocado, uma música solo denominada
“Você é Isto”, era aí que eu entrava como 3º Maestro e passava a
dirigir o Coral. Não me lembro de todos os integrantes do Coral, mas era uma
turma espetacular, lembro-me que a irmã da Benê, a Hermínia e seu marido o
Daddio eram nosso companheiros, além de Ângelo e Rosaria, Alice e Paulinho que
cantava também em solo a música “Creio em Ti”
, Carlos e Irene, Nilsen e Sidrack, Pestana e Ângela, Edite e Vieira,
Machado e Teresinha, Marisa e Afonso, Amélia e Fernando, Gilda e Osíris e
outros amigos. Alguns dos integrantes desse Coral já se foram juntar a Deus e
com certeza já formaram um Coral Celeste.
Os filhos dos integrantes do Coral, ainda crianças, enquanto ensaiávamos, ficavam a brincar e tocar violão nas imediações.
Foi um tempo onde passamos inúmeras horas, cercados por inúmeros amigos, num ambiente da religião católica e que sentimos muita falta até os dias hoje.
A
nossa vida ia sendo tocada quando fui demitido dos Diários e Emissoras
Associadas de São Paulo (1977). Algum tempo depois o Mata ao saber que eu
estava desempregado pediu-me que fosse até o seu escritório. Só nessa
oportunidade é que fiquei sabendo que ele era Diretor de uma multinacional.
Durante a conversa ele me disse que estava indo para Recife fiscalizar a unidade industrial da empresa em que trabalhava e me ofereceu uma oportunidade para trabalhar em Recife na referida unidade. Viajamos e em entrevista com os administradores locais ficou aprovada a minha admissão.
Desta
forma, se iniciou o meu relacionamento profissional com o Mata, isto em Novembro
de 1977. Em dezembro de 1977 ingressei na empresa.
Em Janeiro de 1978 mudei-me com a família para Jaboatão dos Guararapes (Grande Recife) e passei a trabalhar sob as ordens do meu amigo.
Foi
durante este período que ele em São Paulo e eu em Recife organizamos uma
integração de ECC da nossa comunidade em São Paulo com o ECC de Recife que
havia se instalado em nov/1977. Foi um sucesso. Cerca de 20 casais foram
recepcionados por outros tantos de Recife (entre eles Zezé/Rosilda, nossos
amigos até hoje) e aqui fizeram um passeio turístico de causar inveja:
1 – Fomos a Itamaracá;
2 – Passeio em Porto de Galinhas
3 – Ida a Fazenda Nova assistir o espetáculo da Paixão de Cristo uma vez que estávamos na Semana Santa;
4 – Participamos uma missa na Igreja do bairro do Pina em Recife, sob o comando do Padre Jaime, americano de nascimento mas hoje cidadão Recifense, com apresentação do coral com alguns dos seus integrantes que faziam parte da viagem.
O
avião que conduziu os casais, entre eles Lu e Mariano, era inclusive pilotado
pelo Comandante Persse que pertencia ao ECC e que fazia também parte da excursão
juntamente com sua mulher. A hospedagem foi no Hotel de Boa Viagem e a cada
casal foi ofertado uma “talha” (gravação em madeira) confeccionadas pelos
presos da Ilha de Itamaracá.
Foi
uma integração formidável uma vez que cada casal de São Paulo era
apadrinhado por um casal de Recife. Foi um momento inesquecível e único que só
os casais que participaram deste evento podem confirmar.
Nesta empresa permanecemos até 1979 quando ele se retirou da empresa e logo a seguir também acabei por sair.
Continuei morando em Jaboatão exercendo minhas atividades em outras empresas e como Advogado.
Em
1986, quando de uma viagem para São Paulo, para tratar de meus negócios, fui
visitar o meu amigo Mata, ele me perguntou se não gostaria de voltar para São
Paulo??? !!!! A minha situação, devido aos planos financeiros do governo,
estava apertada e as condições que ele me ofereceu, em uma empresa de computação,
eram muito boas e fizeram com que eu aceitasse a oferta e acabasse voltando para
São Paulo com toda a família. Trabalhamos juntos nesta empresa até 1989
quando nos retiramos dela.
Logo a seguir o Mata foi contratado para implantar uma empresa de lazer inédita no Brasil. Pronto, lá fui eu, de novo, a trabalhar com o meu Amigo. Começamos a trabalhar nesta empresa praticamente do zero, pois se tratava de um empreendimento inédito na América Latina. Nesta empresa ele foi como um anjo, pois acabei sofrendo um enfarte e tive que implantar quatro Pontes de Safena e ele foi um dos que me ajudaram a encontrar uma solução, pois o Plano de Saúde a que estávamos vinculados não oferecia cobertura para este tipo de cirurgia. O Mata e o Médico da empresa, juntamente com um primo meu médico, conseguiram que eu fosse operado através do INSS, com um custo muito reduzido. Nasci pela segunda vez!
Neste
período, acabei, também, conhecendo, através do Mata, um outro grupo de
amigos dele que pertenciam ao Clube Paulista de Bolão - CPB (jogo de origem
alemã, semelhante ao boliche), que acabaram se tornando também meus amigos e
com quem mantenho contatos até os dias de hoje. Foram muitas quintas-feiras de
alegrias, muita cerveja e amigos, além de alguns ótimos churrascos e festas
juninas.
Por volta de 1992, devido a problemas administrativos, a empresa de lazer encerrou as atividades e saímos dela.
O Mata acabou por se mudar para Salvador para junto do seu filho Paulo. Falávamos quando ele ligava para o Bolão nas quintas feiras. Encontramo-nos outra vez quando nós fomos passar férias em Recife e passávamos de carro por Salvador, nesta ocasião fomos almoçar umas moquecas em restaurante típico local.
Em Julho de 1997 acabei por me mudar definitivamente para Jaboatão dos Guararapes – PE.
Após
algum tempo acabei por perder contato com o Mata e a Benê novamente, pois ele
mudou e não consegui o seu novo endereço. Foi um longo tempo sem contatar com
o meu irmãozinho por adoção.
Finalmente
um amigo comum de Recife conseguiu localizar o Mata e passou-me o seu novo
endereço. Foi uma festa o telefonema de novo reatamento de contato.
Algum tempo depois, novamente, o Mata mudou novamente e perdemos o seu endereço.
Finalmente,
em abril de 2000 localizamos, novamente, o Mata. Ele havia mudado para Montevidéu
– Uruguai. Foi ficar perto de sua filha Silvana cujo marido Nelson é funcionário
do governo uruguaio.
Já
nesta época o Mata vinha sofrendo com um enfisema causado pelo excesso de
cigarro. Não sabíamos que ele era obrigando a fazer internações hospitalares
periódicas para poder aliviar a sua respiração. Vivia praticamente ligado a
um balão de oxigênio.
Desta
data em diante, o nosso contato passou a ser quase que diário através da
Internet, via e-mail.
Trocamos
imagens, fotos, musicas, informações sobre programas de computador. Foi nesta
época que localizamos ex-colegas da empresa Labo que tem os seus endereços em
uma página da Internet. Foi um intenso relacionamento até a sua ida para outro
plano de vida, em 15/03/2001, que por coincidência é a data do aniversario da
minha mulher.
Ficou a saudade e lembranças de muitos momentos inesquecíveis, tanto de angustias como de satisfações e alegrias. Na minha vida, a cota de “Amigo” foi plenamente preenchida pelo Mata, o que agradeço a Deus todos os dias por ter-me colocado no seu caminho.
Lembro
alguns momentos que passamos juntos:
-
quando tivemos que nos reunir fora de uma empresa, para podermos programar
demissões (trabalhávamos em Recursos Humanos) de colegas que gostávamos
muito, em virtude da péssima situação financeira da empresa. Esta foi uma
noite em que dividimos os nossos pesares, angustias e dores.
-
inúmeros Encontros de Casais com Cristo, da nossa Paróquia.
-
inúmeras reuniões para ensaio do Coral da Paróquia.
-
alguns bingos para se obter fundos para a Igreja N. S. de Lourdes.
-
algumas noitadas na Pizzaria após as reuniões da Igreja.
- um churrasco em sua residência em Interlagos.
-
uma noitada, logo após o seu retorno da França, onde ele havia ido cuidar de
suas cordas vocais, onde só nós três (Mata, Benê e eu) passamos a noite a
degustar os queijos que ele trouxe da França e tomarmos vinho. Foi uma noite
que até hoje está na minha memória. Anos mais tarde, lembrando esta noite,
minha mulher e eu, em viagem pela França, também fizemos a mesma coisa.
-
nossas noites de quintas-feiras jogando “bolão”, juntamente com meu filho,
simplesmente inesquecíveis.
-
inúmeras noites, após os dias de trabalho, em que íamos a um Restaurante Alemão
para espairecer e beliscarmos comidas típicas.
-
os casamentos de duas de suas filhas.
-
nossos almoços durante os dias de trabalho, onde passamos horas memoráveis,
junto com outros colegas de trabalho. Um deles, com leitão à pururuca ficou na
história!
-
nossas viagens de trabalho pelo Brasil, onde conhecemos inúmeros lugares.
Ao
fazer estes relatos, nestes 25 anos de convivência, é que constatei que NUNCA
tivemos quaisquer tipos de desavenças pessoais. Sempre interagimos com toda
confiança mutua e muito amor.
Os filhos do Mata e sua mulher, a nossa irmãzinha Benê, estão espalhados pelo mundo: Montevideo-Uruguai, São Paulo - SP, Salvador- Bahia e Frankfurt-Alemanha e, até hoje, nos comunicamos periodicamente via e-mail.
Para grande satisfação e alegria nossa, em Setembro de 2001, recebemos a Benê em nossa cidade onde ela passou alguns dias conosco para matarmos a saudade.
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CLÃ MATARESE |
De pé, da esquerda para a direita: Reinaldo (G) e Valéria (F), Neyla (N) e Paulo (F), Thiem (G) e Adriana (F), Nelson (G) e Silvana (F) (com Bruna no colo). Em pé e sentados, da esquerda para a direita: Vanessa, filha de Reinaldo e Valéria, MATA e Vovó Rosinha (S) (– moram no céu), e BENÊ (E), Anna Karolina, filha de Thiem e Adriana. Agachadinhos,
da esquerda para a direita: Daniel,
filho do Reinaldo e Valéria, Lara e Paulinha, filhas de Paulo e Neyla,
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Quando
Mata e a Benê faziam a palestra sobre a Oração, no seu final, distribuíam a
Crônica abaixo ao explicar as razões de se dar às mãos quando rezamos o Pai
Nosso.
Esta
Crônica foi extraída da revista “A Família Cristã” de Dez/1972.
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CRÔNICA
DAS MÃOS A
Mão jovem procura a mão velha -
e entre elas se cruza a mão eterna de CRISTO A
mão negra procura a mão branca -
e entre elas se cruza a mão pura de CRISTO A
mão fraca procura a mão robusta -
e entre elas se cruza a mão firme de CRISTO A
mão trêmula procura a mão segura -
e entre elas se cruza a mão serena de CRISTO A
mão calejada procura a mão fina -
e entre elas se cruza a mão cravada de CRISTO A
mão do médico procura a mão doente -
e entre elas se cruza a mão de sangue de CRISTO A
mão do empregado procura a mão do patrão -
e entre elas se cruza a mão de “Chefe” de CRISTO A
mão do prazer procura a mão da santidade -
e entre elas se cruza a mão de dor de CRISTO A
mão do aluno procura a mão do professor -
e entre elas se cruza a mão de Mestre de CRISTO A
mão da sabedoria procura a mão da ignorância -
e entre elas se cruza a mão da humildade de CRISTO A
mão do pecado procura a mão da graça -
e entre elas se cruza a mão do perdão de CRISTO A
mão da vida procura a mão da morte -
e entre elas se cruza a mão da ressurreição de CRISTO E,
enfim, Somente
as mãos fechadas não procuram as mãos fechadas e,
mesmo assim, e ainda assim, -
entre elas se põe, entre elas se cruza a mão sempre aberta de CRISTO. |
ORAÇÃO
PELOS AMIGOS |